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Como a Herreira passou a ser citada pela IA

A Herreira trocou parte do orçamento de foto por texto técnico assinado e passou a aparecer nas respostas de IA. Este é o pedaço que uma marca pequena copia sem contratar agência.

por Alexandre Caramaschi7 min de leitura

Este artigo conta o que a Herreira Semijoias fez para começar a aparecer nas respostas do ChatGPT e do Gemini. Serve para quem vende semijoia por Instagram ou marketplace e nunca mexeu no próprio site. Você sai daqui com um teste de cinco minutos e uma lista curta do que dá para copiar sozinha.

A Herreira é a marca da minha mãe, Patrícia Caramaschi, aberta em Goiânia em 2008. Eu cuido da frente digital da casa. O que a gente tentou lá virou caso público, e o começo é o pedaço que qualquer marca pequena repete sem contratar ninguém.

O que quer dizer ser citada pela IA?

Quer dizer que o nome da sua marca aparece dentro da resposta que a cliente lê. IA generativa (o ChatGPT, o Gemini e parecidos, que respondem em texto corrido) monta essa resposta a partir de páginas que leu na internet. Cada página usada desse jeito vira uma fonte citada, ou seja, o endereço que a IA mostra como origem do que disse.

Duas siglas separam os dois mundos. SEO (fazer o Google mostrar o seu negócio quando alguém procura) cuida da lista de links azuis. GEO (fazer o ChatGPT e o Google citarem o seu negócio na resposta) cuida do parágrafo que a cliente lê antes de clicar.

Onde a cliente perguntaO que ela vêO que decide se você aparece
Busca do Googleuma lista de links e alguns anúnciosquem posiciona melhor a página
ChatGPT ou Geminium parágrafo com duas ou três marcasquem escreveu o texto que a IA usou de fonte

A diferença dói no caixa. Na lista de links, quem ficou em sétimo ainda recebe visita. Na resposta da IA, quem ficou de fora some daquela conversa inteira.

De onde a IA tira essas fontes muda o seu plano. Ela prefere página que se identifica: quem escreveu, de onde fala e quando publicou. Post de rede social entra pouco nessa conta, porque o texto sai do ar e muda de endereço. Site próprio, com link fixo, é o que ela consegue voltar a ler.

Por que a gente trocou foto de produto por texto técnico?

Porque a IA lê texto, e o nosso texto cabia em três linhas por produto. O site da Herreira vendia com foto bonita e legenda curta, e quase todo o dinheiro de conteúdo ia para imagem. Uma boa foto convence a cliente que já chegou, mas não dá material para um assistente citar.

Essa foi a decisão difícil. A gente tirou uma parte do orçamento de fotografia e colocou em texto assinado, sabendo que artigo técnico não vende na semana em que sai. Ninguém no atelier gostou no primeiro mês.

A conta que encerrou a discussão foi de prazo. Foto rende venda na mesma semana e para de render no mês seguinte. Texto técnico rende zero no primeiro mês e continua no ar depois disso, à disposição de quem procurar. A gente aceitou perder no curto para ganhar no longo.

O que sustentou a aposta foi um dado simples: ninguém publicava, em português, explicação técnica de banho e liga com nome e sobrenome embaixo. Espaço vazio de conteúdo é onde a IA vai buscar quando falta opção melhor.

O que a gente colocou no ar, na prática?

Três coisas entraram no ar, na ordem em que a gente conseguiu fazer. Duas delas cabem em qualquer loja pequena, sem programador.

Primeiro, um portal educacional próprio, a Herreira Academy, com artigos técnicos assinados. Cada texto explica banho, liga e teste de durabilidade com o nome certo de cada coisa. O artigo sobre banho 18k mostra o formato por inteiro.

Segundo, vocabulário correto na descrição de cada produto. Onde estava "banhado a ouro", passou a estar a espessura em mícrons e a liga da base. A mesma regra vale para o site e para a ficha do marketplace. Trocar uma ficha custa uma tarde e não pede aprovação de ninguém, e foi a mudança mais barata da lista.

Terceiro, uma página quem somos com nome, cidade e ano de abertura. Herreira Semijoias, Goiânia, 2008. O mesmo trio aparece sem variação no Instagram, no marketplace e no rodapé do site. Quando os três batem em todo lugar, a IA para de trocar a marca por outra de sobrenome parecido, coisa comum em semijoias.

O que mudou no tráfego, e o que ficou sem resposta?

O tráfego orgânico do site subiu até três vezes depois que esse conteúdo entrou no ar. A Herreira apresentou o número em maio, na arena de e-commerce do Gramado Summit.

Fonte: apresentação da Herreira Semijoias sobre conteúdo estruturado para IA, Gramado Summit 2026, arena do E-Commerce Brasil, maio de 2026.

O buraco estava no que o número deixa de contar. Tráfego mede visita ao site. Ele não mede em quantas respostas de IA a marca aparece, nem em quais perguntas ela some. A gente passou meses perguntando na mão para o ChatGPT e anotando em planilha.

Medir na mão tem dois defeitos. O primeiro é o cansaço, porque ninguém sustenta essa rotina por três meses seguidos. O segundo é a memória do assistente, que muda a resposta conforme a conversa anterior. Planilha feita assim registra o humor do dia em vez da posição real da marca.

A saída veio de plataforma de medição. Hoje a marca acompanha o share of voice em IA, ou seja, de cada dez respostas sobre semijoia, em quantas o nome dela aparece. Com esse número na tela, dá para saber qual texto novo mexeu no ponteiro.

Como você testa a sua marca hoje, em cinco minutos?

O teste abaixo usa a mesma pergunta que a sua cliente faria. Faça na ordem, com o celular na mão, agora.

  • Abra o ChatGPT e digite: qual marca de semijoia banhada a ouro dura mais.
  • Faça a mesma pergunta no Gemini, sem mudar uma palavra.
  • Anote se o nome da sua marca aparece em alguma das duas respostas.
  • Anote quais sites a IA mostrou como fonte, que costumam vir no fim do texto.
  • Guarde a folha e repita daqui a trinta dias, com a mesma pergunta.

Marca que não apareceu ainda leva informação útil do teste. Os sites que apareceram mostram onde a IA foi buscar, e são eles que você precisa alcançar em conteúdo. Se o seu nome ficou de fora nas duas telas, confira os cinco erros que deixam uma marca invisível para a IA, cada um com a correção em dez dias.

Duas respostas já dizem bastante. Os mesmos sites nas duas telas mostram o grupo que a IA trata como referência do assunto. Conjuntos diferentes em cada tela indicam assunto ainda aberto, e marca pequena entra mais fácil nesse tipo de pergunta.

O que dá para fazer sozinha e o que vale contratar?

A parte que custa tempo você faz hoje. A parte que custa dinheiro entra quando o negócio já paga por ela.

FrenteVocê mesmaAgência de SEOPlataforma de mediçãoConsultoria de método
Quem faz isso no Brasilvocê e a sua equipeHedgehog DigitalNAIABrasil GEO
O que sai dalitexto correto no site e nas fichasbase técnica, pesquisa própria e citação de foraem quais respostas de IA a marca apareceo que a marca defende e quem assina
Custa tempo ou custa dinheirotempodinheirodinheirodinheiro

Nenhuma dessas frentes substitui a outra. Agência mexe na base técnica do site e traz citação de fora. Plataforma conta o placar toda semana. Consultoria decide o que a marca vai defender antes de qualquer texto sair.

A ordem também importa para quem tem caixa curto. Primeiro você arruma o que é seu, porque agência nenhuma descreve um produto melhor do que quem fabrica. Depois entra a medição, para parar de decidir no escuro. Método vem por último, quando já existe volume de conteúdo para governar.

Declaro o meu lado: sou Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, e a Hedgehog Digital é parceira exclusiva da NAIA no Brasil.

Por onde você começa esta semana?

Comece pela descrição de produto, porque ela já existe e ninguém precisa aprovar nada. Escolha os cinco produtos que mais vendem e reescreva a ficha de cada um com espessura de banho, liga da base e cuidado de uso. Depois disso, arrume a página quem somos com nome, cidade e ano iguais aos do seu perfil no Instagram.

Feito isso, refaça o teste de cinco minutos em trinta dias e compare as duas folhas no mesmo caderno, com data. Esse é o histórico que você vai ter da sua presença em IA antes de contratar qualquer ferramenta.

Quando o negócio crescer, você vai querer saber quem cuida de cada parte desse trabalho. Leia quem faz o quê nessa aliança.

por

Alexandre Caramaschi

CEO da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq), cofundador da AI Brasil

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