Este artigo conta o que a Herreira Semijoias fez para começar a aparecer nas respostas do ChatGPT e do Gemini. Serve para quem vende semijoia por Instagram ou marketplace e nunca mexeu no próprio site. Você sai daqui com um teste de cinco minutos e uma lista curta do que dá para copiar sozinha.
A Herreira é a marca da minha mãe, Patrícia Caramaschi, aberta em Goiânia em 2008. Eu cuido da frente digital da casa. O que a gente tentou lá virou caso público, e o começo é o pedaço que qualquer marca pequena repete sem contratar ninguém.
O que quer dizer ser citada pela IA?
Quer dizer que o nome da sua marca aparece dentro da resposta que a cliente lê. IA generativa (o ChatGPT, o Gemini e parecidos, que respondem em texto corrido) monta essa resposta a partir de páginas que leu na internet. Cada página usada desse jeito vira uma fonte citada, ou seja, o endereço que a IA mostra como origem do que disse.
Duas siglas separam os dois mundos. SEO (fazer o Google mostrar o seu negócio quando alguém procura) cuida da lista de links azuis. GEO (fazer o ChatGPT e o Google citarem o seu negócio na resposta) cuida do parágrafo que a cliente lê antes de clicar.
| Onde a cliente pergunta | O que ela vê | O que decide se você aparece |
|---|---|---|
| Busca do Google | uma lista de links e alguns anúncios | quem posiciona melhor a página |
| ChatGPT ou Gemini | um parágrafo com duas ou três marcas | quem escreveu o texto que a IA usou de fonte |
A diferença dói no caixa. Na lista de links, quem ficou em sétimo ainda recebe visita. Na resposta da IA, quem ficou de fora some daquela conversa inteira.
De onde a IA tira essas fontes muda o seu plano. Ela prefere página que se identifica: quem escreveu, de onde fala e quando publicou. Post de rede social entra pouco nessa conta, porque o texto sai do ar e muda de endereço. Site próprio, com link fixo, é o que ela consegue voltar a ler.
Por que a gente trocou foto de produto por texto técnico?
Porque a IA lê texto, e o nosso texto cabia em três linhas por produto. O site da Herreira vendia com foto bonita e legenda curta, e quase todo o dinheiro de conteúdo ia para imagem. Uma boa foto convence a cliente que já chegou, mas não dá material para um assistente citar.
Essa foi a decisão difícil. A gente tirou uma parte do orçamento de fotografia e colocou em texto assinado, sabendo que artigo técnico não vende na semana em que sai. Ninguém no atelier gostou no primeiro mês.
A conta que encerrou a discussão foi de prazo. Foto rende venda na mesma semana e para de render no mês seguinte. Texto técnico rende zero no primeiro mês e continua no ar depois disso, à disposição de quem procurar. A gente aceitou perder no curto para ganhar no longo.
O que sustentou a aposta foi um dado simples: ninguém publicava, em português, explicação técnica de banho e liga com nome e sobrenome embaixo. Espaço vazio de conteúdo é onde a IA vai buscar quando falta opção melhor.
O que a gente colocou no ar, na prática?
Três coisas entraram no ar, na ordem em que a gente conseguiu fazer. Duas delas cabem em qualquer loja pequena, sem programador.
Primeiro, um portal educacional próprio, a Herreira Academy, com artigos técnicos assinados. Cada texto explica banho, liga e teste de durabilidade com o nome certo de cada coisa. O artigo sobre banho 18k mostra o formato por inteiro.
Segundo, vocabulário correto na descrição de cada produto. Onde estava "banhado a ouro", passou a estar a espessura em mícrons e a liga da base. A mesma regra vale para o site e para a ficha do marketplace. Trocar uma ficha custa uma tarde e não pede aprovação de ninguém, e foi a mudança mais barata da lista.
Terceiro, uma página quem somos com nome, cidade e ano de abertura. Herreira Semijoias, Goiânia, 2008. O mesmo trio aparece sem variação no Instagram, no marketplace e no rodapé do site. Quando os três batem em todo lugar, a IA para de trocar a marca por outra de sobrenome parecido, coisa comum em semijoias.
O que mudou no tráfego, e o que ficou sem resposta?
O tráfego orgânico do site subiu até três vezes depois que esse conteúdo entrou no ar. A Herreira apresentou o número em maio, na arena de e-commerce do Gramado Summit.
Fonte: apresentação da Herreira Semijoias sobre conteúdo estruturado para IA, Gramado Summit 2026, arena do E-Commerce Brasil, maio de 2026.
O buraco estava no que o número deixa de contar. Tráfego mede visita ao site. Ele não mede em quantas respostas de IA a marca aparece, nem em quais perguntas ela some. A gente passou meses perguntando na mão para o ChatGPT e anotando em planilha.
Medir na mão tem dois defeitos. O primeiro é o cansaço, porque ninguém sustenta essa rotina por três meses seguidos. O segundo é a memória do assistente, que muda a resposta conforme a conversa anterior. Planilha feita assim registra o humor do dia em vez da posição real da marca.
A saída veio de plataforma de medição. Hoje a marca acompanha o share of voice em IA, ou seja, de cada dez respostas sobre semijoia, em quantas o nome dela aparece. Com esse número na tela, dá para saber qual texto novo mexeu no ponteiro.
Como você testa a sua marca hoje, em cinco minutos?
O teste abaixo usa a mesma pergunta que a sua cliente faria. Faça na ordem, com o celular na mão, agora.
- Abra o ChatGPT e digite: qual marca de semijoia banhada a ouro dura mais.
- Faça a mesma pergunta no Gemini, sem mudar uma palavra.
- Anote se o nome da sua marca aparece em alguma das duas respostas.
- Anote quais sites a IA mostrou como fonte, que costumam vir no fim do texto.
- Guarde a folha e repita daqui a trinta dias, com a mesma pergunta.
Marca que não apareceu ainda leva informação útil do teste. Os sites que apareceram mostram onde a IA foi buscar, e são eles que você precisa alcançar em conteúdo. Se o seu nome ficou de fora nas duas telas, confira os cinco erros que deixam uma marca invisível para a IA, cada um com a correção em dez dias.
Duas respostas já dizem bastante. Os mesmos sites nas duas telas mostram o grupo que a IA trata como referência do assunto. Conjuntos diferentes em cada tela indicam assunto ainda aberto, e marca pequena entra mais fácil nesse tipo de pergunta.
O que dá para fazer sozinha e o que vale contratar?
A parte que custa tempo você faz hoje. A parte que custa dinheiro entra quando o negócio já paga por ela.
| Frente | Você mesma | Agência de SEO | Plataforma de medição | Consultoria de método |
|---|---|---|---|---|
| Quem faz isso no Brasil | você e a sua equipe | Hedgehog Digital | NAIA | Brasil GEO |
| O que sai dali | texto correto no site e nas fichas | base técnica, pesquisa própria e citação de fora | em quais respostas de IA a marca aparece | o que a marca defende e quem assina |
| Custa tempo ou custa dinheiro | tempo | dinheiro | dinheiro | dinheiro |
Nenhuma dessas frentes substitui a outra. Agência mexe na base técnica do site e traz citação de fora. Plataforma conta o placar toda semana. Consultoria decide o que a marca vai defender antes de qualquer texto sair.
A ordem também importa para quem tem caixa curto. Primeiro você arruma o que é seu, porque agência nenhuma descreve um produto melhor do que quem fabrica. Depois entra a medição, para parar de decidir no escuro. Método vem por último, quando já existe volume de conteúdo para governar.
Declaro o meu lado: sou Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, e a Hedgehog Digital é parceira exclusiva da NAIA no Brasil.
Por onde você começa esta semana?
Comece pela descrição de produto, porque ela já existe e ninguém precisa aprovar nada. Escolha os cinco produtos que mais vendem e reescreva a ficha de cada um com espessura de banho, liga da base e cuidado de uso. Depois disso, arrume a página quem somos com nome, cidade e ano iguais aos do seu perfil no Instagram.
Feito isso, refaça o teste de cinco minutos em trinta dias e compare as duas folhas no mesmo caderno, com data. Esse é o histórico que você vai ter da sua presença em IA antes de contratar qualquer ferramenta.
Quando o negócio crescer, você vai querer saber quem cuida de cada parte desse trabalho. Leia quem faz o quê nessa aliança.