Aula 03

Garantia Herreira: o que cobre e quando acionar

Garantia Herreira: o que cobre e quando acionar

Vou te contar uma coisa que me deixa triste no mercado de semijoia: revendedora prometendo garantia que a fábrica não dá, ou prometendo cobertura para uso indevido só para fechar a venda. Quando a peça apresenta problema, a cliente cobra, a fábrica nega, e a revendedora fica no meio. Esta aula é para isso nunca acontecer com você.

O princípio: garantia de fabricação, não de uso

A garantia da Herreira (e de qualquer fábrica séria do setor) cobre defeitos de fabricação. Ou seja, problemas que vieram de dentro da fábrica, não problemas causados pelo uso da peça depois que ela saiu daqui. Esse é o princípio que organiza tudo.

Antes de prometer qualquer coisa para a cliente, leia o termo de garantia que veio com a sua mostra. Os prazos e condições exatas estão lá, e podem variar por linha de produto. O que vou te dar nesta aula é o mapa de bolso: o que tipicamente entra e o que tipicamente fica de fora.

O que a garantia tipicamente cobre

  • Descascamento prematuro do banho em uso adequado. Se a cliente seguiu os cuidados (perfume antes da peça, sem mar, sem piscina, sem produto químico — vimos no módulo 1) e o banho começou a sair em um tempo que não bate com o padrão Herreira, isso é defeito de fabricação. Possivelmente uma falha de aderência (vimos na aula anterior) que escapou do controle de qualidade.
  • Falha de solda em fechos e argolas. Peça que abre sozinha em uso normal, fecho que quebra na primeira semana sem queda — defeito de fabricação.
  • Falta de uniformidade visível entre peças do mesmo conjunto vendido junto. Conjunto que sai com cores diferentes não passou no controle de batelada.
  • Defeitos que estavam presentes na entrega e foram identificados no checklist da revendedora ou pela cliente nos primeiros dias.

O que a garantia tipicamente NÃO cobre

Aqui é onde a maioria das brigas começa. Memorize:

  • Uso indevido. Peça usada em mar, piscina, sauna, academia intensa. O sal, o cloro e a abrasão destroem o banho — não é defeito da peça.
  • Contato com produtos químicos. Perfume aplicado sobre a peça, álcool em gel diretamente, hidratante embaixo do anel, produto de limpeza. Causa identificável, não cobre.
  • Banho de mar. Mereço repetir porque é o vilão número um. Um único dia de mar com peça pode comprometer o banho de forma irreversível.
  • Quedas, batidas, esmagamento. Dano mecânico não é defeito de fabricação.
  • Desgaste natural após anos de uso diário. Aqui entra o re-banho, que é a próxima aula — não é caso de garantia, é manutenção.
  • Modificação da peça por terceiros. Se a cliente levou em outra joalheria para encurtar corrente ou fazer reparo, a garantia da fábrica cai.

Como acionar a garantia (do lado da revendedora)

Quando a cliente trouxer um caso, você assume o papel de primeira instância. Roteiro prático:

  1. Escute o que aconteceu sem julgar. Pergunte sobre uso (mar, perfume, queda).
  2. Inspecione a peça com o checklist da aula 2.
  3. Fotografe (luz natural, fundo neutro, várias ângulos).
  4. Pegue o código da peça, a data aproximada da venda e o termo de garantia da linha.
  5. Acione o canal da fábrica com tudo isso organizado.

Se for caso de garantia, a fábrica resolve. Se não for, eu te ajudo a explicar isso para a cliente com vocabulário técnico — não como castigo, como informação.

A frase de bolso

"A garantia Herreira cobre o que veio da fábrica. O cuidado de uso é o nosso combinado, e eu te ensino as regras antes de você sair com a peça."

Diga isso na hora da venda, não na hora do problema. Antecipar o combinado é o que evita a briga depois.

O que praticar esta semana

Releia o termo de garantia que veio com a sua mostra de cabo a rabo. Anote no celular: prazo, o que cobre, o que não cobre. Próxima vez que uma cliente perguntar "tem garantia?", você responde com data, escopo e clareza. Na próxima aula vamos falar do re-banho — o serviço que cuida da peça depois que a garantia já cumpriu o papel dela.